No caminho do yoga.

Por algum motivo estou aqui, nesta condição

Por algum momento me perdi, nesta ilusão

Por vezes me deixei levar pelo que acredito ser

Por vezes me deixei acreditar que sou apenas isso

Cansado de sofrer, por recriar as mesmas condições

Cansado de sofrer, por renascer  na crença do temporal

Estou aqui, agora, eu e ela, como sempre ela

Estou aqui, agora, acompanhado da minha mente, que tanto me ordena

Ó mente! Completa e perfeita, pois delibera os sentidos, gera conflitos e por fim, solidifica meu ego

Ó mente! Completa por sua complexidade, mas imperfeita por me afastar do essencial

Infeliz pela ilusão, eu resolvi caminhar

Deparei-me com o asana, purificando meu corpo e acalentando meus sentidos

Fazendo-me chorar e rir, pelas dores e superações

Logo após veio o conhecimento, os textos e os mestres limpando o espelho empoeirado do meu coração

Transformando minha ignorância num recipiente de compreensão

E por fim, sentada no trono do meu coração, sendo cuidada como uma jóia, minha devoção e entrega, o refugio do meu ser

O lugar onde não mora identificação e nem sofrimento

O lugar onde os nomes Divinos sempre são cantados

O lugar onde não há decepção, pois sei que no fim deste ciclo

No momento final, o cantar revelará tua face azulada junto ao som da tua flauta

Grato e entusiasmado, caminhando em direção a luz…

tapaḥ svādhyāy-eśvarapraṇidhānāni kriyā-yogaḥ 2.1 Y.S

                                                                              Junior (Jay Gauranga)

 

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A HIERARQUIA DO SER.

“Os sentidos funcionais são superiores a matéria bruta: a mente é superior aos sentidos; por sua vez, a inteligência é mais elevada do que a mente; e ela (a alma) é superior a inteligência.”

BHAGAVAD-GITA 3.42

Na nossa estrutura como individuo, existe uma hierarquia de elementos organizada de forma perfeita e divina, porém a alma sendo superior nessa escala permanece esquecida devida ha falta de conhecimento (avidya).

A Bhagavad-Gita capitulo 7.4 nos explica que terra, água, fogo, ar, éter são os cinco elementos primários da matéria, porem existem ainda a mente, inteligência (consciência) e o Ahankara (falso ego), ou seja, um total de oito elementos. A partir da união desses elementos, formas se manifestam tornando o mundo que vivemos (objetos dos sentidos), assim nossos sentidos se atrai pelos seus objetos e a mente cumpre seu papel de desejar e criar formas de desfrutar de maneiras ilimitadas dessa relação entre sentidos e seus objetos. Notemos a atração natural dos olhos pelas belas formas, do olfato por exuberantes fragrâncias e  assim em diante.

Os pensamentos são a principal atividade da mente, o Yoga-Sutra de Patanjali 1.2 coloca como: “cittta-vrtti” as flutuações da mente. Quando entendemos o conceito da palavra Dharma que seria a verdadeira ocupação, percebemos que analogicamente o “dharma” da mente é citta: pensar, desejar, etc. E isso não é bom, quanto mais a mente predomina, menos a consciência atua, fazendo do individuo escravo de seus sentidos e desejos, que não são nada mais projeções da mente. Projeções essas, que derivam da necessidade da interação dos sentidos com os objetos dos sentidos.

A inteligência ou consciência superior seria a forma mais coerente de estar situado devido a sua natureza de discernir, atuando de maneira coerente a auto-realização, discernindo e filtrando as necessidades da mente, elevando a vibração do espiritualista para uma condição cada vez mais elevada no seu processo, assim chamado por Krishna na Bhagavad-Gita 3.43 de Buddhi-yoga, a yoga da inteligência superior.

O ego que se responsabiliza pela identificação, faz com que acreditemos que somos o que a experiência material nos permite ser, por isso estamos sempre fazendo distinção entre o que gostamos ou não, o que é bom ou ruim, e assim vivendo essa dualidade entre sofrimento e felicidade. No Bhagavad-Gita 2.14  Krishna coloca para Arjuna que o yogi não se perturba entre sukha e dukha, felicidade e tristeza, e sim tolera sem se perturbar.

A alma, é o ingrediente puro, a essência do individuo, ela é constituída de eternidade, consciência pura e bem-aventurança transcendental. Essas qualidades são acessadas no processo de descoberta do seu próprio ser, esse é o propósito do yoga!

A conexão é dada quando de alguma forma o yogi desenvolve a percepção clara de sua natureza como parte integrante de Deus; controlando seus sentidos, fazendo da mente sua melhor amiga, utilizando a sua inteligência superior, desconstruindo seu falso ego e por fim, se realizando como alma espiritual! Vamos tentar?

Junior (Jay Gauranga)