A dor como reflexo do seu ego.

A pratica de ashtanga yoga é dinâmica por natureza, porém sua intensidade é controlada pelo praticante. Sempre enfatizo para os alunos não estereotiparem o asana em suas mentes, e sim aceitem o que seu corpo oferece para que possam ter conforto para conduzir uma boa respiração, pois os bandhas e a respiração Ujjay são a prioridade, assim os asanas vem como consequência dessa estrutura. Os sentidos ficam atentos  as fotos na internet, a mente deseja fazer aquele asana, e o ego confirma o desejo de ambos afirmando que você é capaz de fazer isso hoje! Essa é uma boa receita para obter lesões e frustrações. Lembrando que muitos dos asanas complexos e lindos das fotos, possuem por trás anos de tapete esticado diariamente e molhado com suor.

tīvra-saṁvegānām-āsannaḥ 
O objetivo é alcançado através da prática constante e interrupta.. Yoga Sutra 1.21

A serie é permeada por asanas que vão ficando cada vez  mais desafiadores e complexos, mas o principio não pode ser esquecido. O proposito é yoga (conexão) é ter profundidade de concentração para frutificar em transformação interior. Se o aluno tem paciência e mantem uma pratica constante, o resultado é inevitável: o corpo se abre e permite que as sensações da transformação se manifeste de maneira natural. Essa é a beleza da série, um trabalho construtivo e galgado através de literalmente muito suor e dedicação. Mas com leveza, serenidade e bom humor. Devoção seria uma palavra cabível para praticantes que fazem isso diariamente. Leveza da vida útil para o corpo conseguir praticar asanas por toda a vida.

mṛdu-Madhya-adhimātratvāt tato’pi viśeṣaḥ
Esta prática pode ser leve, moderada ou intensa. Yoga Sutra 1.22

Chegamos ao yoga quase sempre com diferentes padrões de comportamentos não saudáveis, entre eles está a competitividade com outros e nós mesmos. No nosso inconsciente os padrões sempre nos levam a querer chegar onde muitas vezes nós não sabemos se queremos realmente ir, ou se estamos preparados para percorrer esse caminho. Mas devido a um esteriótipo provocado pelo desejo da mente e consolidação do ego devido a sua natureza afirmativa acaba nos colocando em situações indesejáveis como lesões e dores quase sempre gratuitas devido a nosso desejo de ser como os outros, outros esses que não somos nós.

O foco tem que ser a disciplina! Dessa forma acontece o efeito terapêutico, esse é o método. Se a dor, ouça seu corpo e não force, apenas respire e mantenha as contrações, exercendo a aceitação de suas limitações físicas e mentais. A dor é sempre um sinal de alerta do seu corpo.

O yoga sendo um processo para toda a vida, permite que possamos sempre exercitar o que somos hoje e criar a oportunidade para melhorar amanhã. Os asanas são uma grande ferramenta de auto-reflexo. Estique seu tapete e vamos respirar, mas com respeito a si mesmo…

Om Tat Sat

Junior (Jay Gauranga)

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A HIERARQUIA DO SER.

“Os sentidos funcionais são superiores a matéria bruta: a mente é superior aos sentidos; por sua vez, a inteligência é mais elevada do que a mente; e ela (a alma) é superior a inteligência.”

BHAGAVAD-GITA 3.42

Na nossa estrutura como individuo, existe uma hierarquia de elementos organizada de forma perfeita e divina, porém a alma sendo superior nessa escala permanece esquecida devida ha falta de conhecimento (avidya).

A Bhagavad-Gita capitulo 7.4 nos explica que terra, água, fogo, ar, éter são os cinco elementos primários da matéria, porem existem ainda a mente, inteligência (consciência) e o Ahankara (falso ego), ou seja, um total de oito elementos. A partir da união desses elementos, formas se manifestam tornando o mundo que vivemos (objetos dos sentidos), assim nossos sentidos se atrai pelos seus objetos e a mente cumpre seu papel de desejar e criar formas de desfrutar de maneiras ilimitadas dessa relação entre sentidos e seus objetos. Notemos a atração natural dos olhos pelas belas formas, do olfato por exuberantes fragrâncias e  assim em diante.

Os pensamentos são a principal atividade da mente, o Yoga-Sutra de Patanjali 1.2 coloca como: “cittta-vrtti” as flutuações da mente. Quando entendemos o conceito da palavra Dharma que seria a verdadeira ocupação, percebemos que analogicamente o “dharma” da mente é citta: pensar, desejar, etc. E isso não é bom, quanto mais a mente predomina, menos a consciência atua, fazendo do individuo escravo de seus sentidos e desejos, que não são nada mais projeções da mente. Projeções essas, que derivam da necessidade da interação dos sentidos com os objetos dos sentidos.

A inteligência ou consciência superior seria a forma mais coerente de estar situado devido a sua natureza de discernir, atuando de maneira coerente a auto-realização, discernindo e filtrando as necessidades da mente, elevando a vibração do espiritualista para uma condição cada vez mais elevada no seu processo, assim chamado por Krishna na Bhagavad-Gita 3.43 de Buddhi-yoga, a yoga da inteligência superior.

O ego que se responsabiliza pela identificação, faz com que acreditemos que somos o que a experiência material nos permite ser, por isso estamos sempre fazendo distinção entre o que gostamos ou não, o que é bom ou ruim, e assim vivendo essa dualidade entre sofrimento e felicidade. No Bhagavad-Gita 2.14  Krishna coloca para Arjuna que o yogi não se perturba entre sukha e dukha, felicidade e tristeza, e sim tolera sem se perturbar.

A alma, é o ingrediente puro, a essência do individuo, ela é constituída de eternidade, consciência pura e bem-aventurança transcendental. Essas qualidades são acessadas no processo de descoberta do seu próprio ser, esse é o propósito do yoga!

A conexão é dada quando de alguma forma o yogi desenvolve a percepção clara de sua natureza como parte integrante de Deus; controlando seus sentidos, fazendo da mente sua melhor amiga, utilizando a sua inteligência superior, desconstruindo seu falso ego e por fim, se realizando como alma espiritual! Vamos tentar?

Junior (Jay Gauranga)