Nossos invólucros e o caminho da conexão.

Quando tratamos de yoga como conexão, não se resume  apenas em conexão com Deus, mas primeiramente com nós mesmos, o nosso primeiro e único eu, o invólucro mais profundo e essencial, a alma (jivátma) e a parcela divina que reside em nosso coração (paramátma). essas energias superiores estão isoladas devido ao cultivo de atividades que geram uma poeira em nosso coração encobrindo o contato com que é essencial.

Possuímos cinco invólucros na nossa estrutura constitucional, partindo do nosso corpo físico até as profundezas do verdadeiro ser, a alma, o ultimo e mais profundo. A proposta da pratica de hatha-yoga é conectar todos essas camadas de maneira equilibrada e consciente para haver uma conexão  entre o ambiente externo e o essencial que reside no individuo.  Vamos para uma abordagem mais técnica:

Anámaya kosha: corpo físico

Pranamaya kosha: corpo etéreo

Manomaya kosha: corpo mental

Vijnãnamaya kosha: corpo intelectual

Ananadamaya kosha: corpo espiritual

Por inúmeros motivos estamos em desequilíbrio. Nosso corpo físico está cheio de toxinas devido a má alimentação, o corpo etéreo congestionado devido a ma circulação prânica, a mente fragilizada e condicionada a satisfação corpórea imposta pelos sentidos funcionais, e nosso intelecto profundo enraizado em memórias e traumas que só nos levam a tendências que nos prende a padrões de comportamento indevido. Resultando num contato muito distante do potencial espiritual que  o  nosso verdadeiro ser pode nos proporcionar. A bem-aventurança consciente de que somos seres eternos! Tema muito presente na Bhagavad-Gita.

Evam buddheh param buddhhvá samstabhyátmánam átmaná

Jahi satrum mahá-báho káma-rúpam durásadam  B.G cap. 3.43

“Assim, sabendo que é transcendental aos sentidos, à mente e a inteligência materiais, ó Arjuna de braços poderosos, a pessoa deve equilibrar a mente por meio de deliberada inteligência espiritual, e assim, pela força espiritual, vencer esse inimigo insaciável de desejos.”

Com respeito e reverencias, gosto de fazer  paralelos com as palavras sábias de Patanlaji a outras referencias sagradas, pois ao estudarmos a finco as escrituras que estão relacionadas ao yoga podemos realizar claramente que existe sempre um mesmo intuito de informação em abordagens de tempo, local e épocas diferentes.

Tapah-svadhyáyesvara-pranidhánáni kriýá-yogah  cap2.1

“Yoga da ação é austeridade (disciplina), estudo das escrituras e devoção a Deus.”

Aqui o  sábio Patanjali afirma que esses três principais aspectos do processo podem revelar o caminho de três principais fatores que permeiam todo seu discurso em seus sutras:

1-a meta, que é o transe. (samadhi).

2- acabar com o sofrimento. (kleshas)

3- através do equilíbrio da mente. (citta).

Vejamos a relação direta dessa afirmação de Patanjali com nossos invólucros:

Tapa traduzida como austeridade e abordada como disciplina representando o fogo aquecido pela nossa determinação da pratica de asanas no qual purifica nosso corpo físico, preparando para o pranayama que limpa e equaliza nosso corpo etéreo.

Svadhyaya, o estudo dos textos e a observação interna, nos auto-realiza e fundamenta o entendimento de nossas questões internas, equilibrando a mente e dando luz em nossos sanskaras (impressões que nos acompanham de outras vidas) para lidar de maneira que possamos limpar essa poeira acumulada em nossos corações.

E finalmente Ishvara-pranidhana, a entrega a Deus. A consciência de que existe “Algo” maior, a devoção que resulta na emoção de confiar em uma energia que mesmo sentida internamente não é revelada aos olhos se não existir entrega e fé.

Disciplina, determinação e devoção! Seguimos enfrente com humildade e respeito para com o yoga. Om Tat Sat

Junior Jay Gauranga

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