A HIERARQUIA DO SER.

“Os sentidos funcionais são superiores a matéria bruta: a mente é superior aos sentidos; por sua vez, a inteligência é mais elevada do que a mente; e ela (a alma) é superior a inteligência.”

BHAGAVAD-GITA 3.42

Na nossa estrutura como individuo, existe uma hierarquia de elementos organizada de forma perfeita e divina, porém a alma sendo superior nessa escala permanece esquecida devida ha falta de conhecimento (avidya).

A Bhagavad-Gita capitulo 7.4 nos explica que terra, água, fogo, ar, éter são os cinco elementos primários da matéria, porem existem ainda a mente, inteligência (consciência) e o Ahankara (falso ego), ou seja, um total de oito elementos. A partir da união desses elementos, formas se manifestam tornando o mundo que vivemos (objetos dos sentidos), assim nossos sentidos se atrai pelos seus objetos e a mente cumpre seu papel de desejar e criar formas de desfrutar de maneiras ilimitadas dessa relação entre sentidos e seus objetos. Notemos a atração natural dos olhos pelas belas formas, do olfato por exuberantes fragrâncias e  assim em diante.

Os pensamentos são a principal atividade da mente, o Yoga-Sutra de Patanjali 1.2 coloca como: “cittta-vrtti” as flutuações da mente. Quando entendemos o conceito da palavra Dharma que seria a verdadeira ocupação, percebemos que analogicamente o “dharma” da mente é citta: pensar, desejar, etc. E isso não é bom, quanto mais a mente predomina, menos a consciência atua, fazendo do individuo escravo de seus sentidos e desejos, que não são nada mais projeções da mente. Projeções essas, que derivam da necessidade da interação dos sentidos com os objetos dos sentidos.

A inteligência ou consciência superior seria a forma mais coerente de estar situado devido a sua natureza de discernir, atuando de maneira coerente a auto-realização, discernindo e filtrando as necessidades da mente, elevando a vibração do espiritualista para uma condição cada vez mais elevada no seu processo, assim chamado por Krishna na Bhagavad-Gita 3.43 de Buddhi-yoga, a yoga da inteligência superior.

O ego que se responsabiliza pela identificação, faz com que acreditemos que somos o que a experiência material nos permite ser, por isso estamos sempre fazendo distinção entre o que gostamos ou não, o que é bom ou ruim, e assim vivendo essa dualidade entre sofrimento e felicidade. No Bhagavad-Gita 2.14  Krishna coloca para Arjuna que o yogi não se perturba entre sukha e dukha, felicidade e tristeza, e sim tolera sem se perturbar.

A alma, é o ingrediente puro, a essência do individuo, ela é constituída de eternidade, consciência pura e bem-aventurança transcendental. Essas qualidades são acessadas no processo de descoberta do seu próprio ser, esse é o propósito do yoga!

A conexão é dada quando de alguma forma o yogi desenvolve a percepção clara de sua natureza como parte integrante de Deus; controlando seus sentidos, fazendo da mente sua melhor amiga, utilizando a sua inteligência superior, desconstruindo seu falso ego e por fim, se realizando como alma espiritual! Vamos tentar?

Junior (Jay Gauranga)

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