O coração como ferramenta de união.

Desde o inicio da criação, desde que a vida se da como existente, o som esta presente…

Até o  grande deus Brahma, arquiteto do universo, canta em glorificação.

Mesmo o som de raios, o som das águas, o som da interação entre os elementos…

Através do som, a conexão é dada, a interação, a união entre o micro e o macro.

O homem se revela através do som, a natureza se engrandece, não só com sua beleza e tamanha opulência, mas principalmente através do que ouvimos ao repara-la.

Perceber o poder da expressão, a revelação dada pelo canto é um dom que se pratica diariamente.

O canto de mantras não é apenas um ritual ortodoxo, mas um dialogo direto entre os mortais e os deuses. É um apelo do coração ao Criador.

Expressar a fé, não se resume apenas na crença; mais principalmente na atitude de acreditar que os ouvidos divinos são onipresente e onisciente.

Cantar com fé, é a busca inerente da alma. É  saciar a sede da procura pelo eterno.

É uma atitude de  humildade que somos pequenos, porém conscientes e bem aventurados.

Cantar com fé, é colocar o coração nas mãos e oferecer no altar da devoção…

É realizar  a esperança diariamente quando cantamos.

Cantar com o coração, é o pedido de perdão, mas principalmente de gratidão.

Não só pelos erros cometidos, mas principalmente pelas graças acolhidas em nossa vida.

Yoga da mente é o conhecimento. Que nos dá maturidade para entender nós mesmos.

Yoga do corpo é o asana. Que nos abre para dentro e nos tonifica para fora.

Yoga do coração é a devoção. Que nos leva a olhar para o alto e erguer os braços para receber as bençãos.

Que nos momentos de profunda tristeza e desamparo, nos leva a se agarrar numa unica faísca de luz, e que nela, com devoção e entrega, ilumina nossa vida de tal forma, que o amanhã nos aguarda cheio de graças.

O coração é uma grande ferramenta, uma vez que a mente esteja armada com o conhecimento e o corpo preparado para a meditação.

Yoga do coração. É o canto dos nomes sagrados, que nos trás humildade para aceitar que somos limitados perante Deus, mas grandes pela nossa importância de estar integrados a essa energia unificadora do amor.

Cantar é se banhar de fé. Fé é estar presente.

Cantar, é dar as mãos e caminhar juntos em direção a luz.

Bhakti é devoção, yoga é união.

Santificar o nome de Deus, independente de qual seja, é se conectar com o divino na sua essência.

É simples e profundo…

Junior (Jay Gauranga)

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PAPO RETO DE CORAÇÃO ABERTO!

Já tem milhares de anos que na Índia antiga os grande Rshis (yoguis misticos) se retiravam nas florestas para buscar uma conexão com uma energia superior, existia uma rede de conexão com a natureza  que gerava a “revelação”.

Hoje, aqui em nossas vidas urbanas estamos de alguma forma buscando algum tipo de conexão nas redes sociais e também através de nossa praticas e meditações, talvez não consigamos obter uma revelação como dos grandes yoguis antigos, mas com certeza a nossa postura de ser humilde e não se comparar a esses grandes santos da historia do yoga, nos permita ser apenas nós! E isso é lindo, pois ser você mesmo significa que está no caminho certo.

O caminho certo é proposto por muitas escolas e instituições que estão barganhando adeptos, sendo assim abrimos as varias janelas no computador e analisamos a proposta mais atraente e barata, e de preferencia que traga o resultado mais rápido. Seja bem vindo aos tempos modernos!

Se vende espiritualidade, compramos “kit-ideológicos” levantamos nossa bandeira da tribo que se inserimos, e por fim, fazemos um bom “self” para postar nas redes sociais. E ainda com discurso de plena realização…

Fico pensando como seria o “self” de personalidades como Jesus, Budha, Krishna se eles possuíssem “Pau de self” ?

 O mais interessantes é que sem instrumentos tecnológicos a fama desses grandes lideres estão atravessando gerações a muito tempo, pois a concepção de “self” proposta por Eles é algo muito sublime e simples.

“Olhe para dentro, seja você e se mantenha presente”

Essa era a pratica milenar dos yoguis, pois estar presente e olhar para dentro nos leva ao nosso verdadeiro “self”.

E isso quando praticado com sinceridade e livre de prestigio gera força e convicção. Por isso nomes como Hanuman vem atravessando gerações há milhares de anos! Hanuman é uma figura na história do yoga, que possuía muita força física e muitos poderes misticos, porém o que faz Dele um herói famoso é seu amor pelo casal divino Sita e  Rama.

No fundo, por mais curtidas que obtenhamos na nossa postagem, daqui cinco minutos haverá outra, e a mesma tecla que curte seu “self” é a tecla que te exclui da rede de amigos.  

Penso que quanto mais procuro meu self dentro de mim, mais me aproximo das pessoas ao meu redor, e dessa forma impresso minha presença na rede da das relações pessoais e principalmente amorosas.

Poderia falar mais, mas tenho que ir dar banho na minha caçula…

Abraço forte.

                                                                                 Junior (Jay gauranga)

A BUSCA PELO AMOR PERDIDO.

O cervo almiscareiro é citado na poesia e filosofia sânscrita devido ao seu comportamento peculiar. Valorizado pela indústria de perfumes pelo seu aroma excepcional, o almíscar é um dos produtos naturais mais caros do mundo, chegando a valer mais de três vezes o valor do peso do ouro. O aroma do almíscar é tão sedutor que o nariz sensível do cervo, ao senti-lo no vento, faz com que ele ronde pela floresta dia e noite em busca de sua origem. O cervo se esgota pela sua busca infrutífera, sem nunca perceber que o  doce  aroma não está em nenhum outro lugar, exceto dentro de si.

O almíscar, como se vê, é produzido por uma glândula no próprio umbigo do cervo: ele procura incansavelmente por algo que sempre esteve dentro dele. Os sábios da Índia observaram no cervo almiscareiro uma descrição apropriada da condição humana. Todos nós somos criaturas vagando em busca de prazer dentro de alguma floresta – repleta de prazeres e riscos. Além disso, temos a tendência ao mesmo tipo de loucura do cervo: buscarmos uma felicidade externa.

Confundimos nossas verdadeiras necessidades associando erroneamente nossa realização e auto-estima a posses, posições e estímulos mentais e sensuais. Muitas vezes somos atraídos por relacionamentos superficiais, que mantém a promessa de satisfação duradoura, mas nos fazem sentir vazios, sendo que o verdadeiro tesouro reside internamente. Esse é o tema subjacente nas musicas que cantamos, dos programas que assistimos e dos livros que lemos. Esta nos salmos da Bíblia, nas baladas dos Beatles e praticamente em todos os filmes de Bollywood já produzidos. O que é esse tesouro? O amor. O amor é a natureza Divina. Sob a cobertura do falso ego, encontra-se escondido. O propósito da vida humana é descobrir esse amor divino. A satisfação que todos no estamos procurando é encontrada no compartilhamento desse amor.

Os sábios autores de textos sagrados da Índia realizaram que a mais surpreendente de todas as maravilhas de Deus é a Sua disposição e ímpeto de não apenas ser tocado por nosso amor, mas de ser conquistado por ele. O cultivo desse amor adormecido é chamado de o cultivo de Bhakti (o caminho da devoção). Este amor reside dentro de todos nós. E é o maior de todos os poderes, por que é o único que pode revelar a mais profunda satisfação interior em nossas vidas. Com a força desse amor podemos superar a inveja, o orgulho a luxuria, a ira e a cobiça. Não há outro meio de conquistar essas doenças dentro de nós.

                                                                                                                Radhanatha Swami

Patanjali afirma o que Krishna fundamentou…

A principal característica de Patanjali no Yoga-Sutra é sua objetividade na informação, por isso o nome “sutra” devido a abordagem compactada de informação num tema especialmente profundo. Já a Bhagavad-Gita é extensa devido ao dialogo entre os dois protagonistas, em diversos momentos Krishna é indagado por Arjuna num debate onde predomina o tema yoga. Estarei fazendo um paralelo para mostrar como o Yoga Sutra está dando caminho para entender o que Krishna já havia estabelecido há mais de milênios atrás. Sendo textos com muitos conceitos irei apanhar alguns dentre os mais relevantes.

1.2  Yoga Sutra

Yoga significa controlar as flutuações da mente.

3.43 Bhagavad Gita

Assim, sabendo que é transcendental aos sentidos, à mente, e à inteligência materiais, ó Arjuna de braços poderosos, a pessoa deve equilibrar a mente por meio de deliberada inteligência espiritual e assim, pela força espiritual, vencer esse inimigo insaciável conhecido como luxuria.

1.12 YS

Estes processos são controlados através da pratica e do desapego.

5.2 BG

Krishna disse: A renúncia ao trabalho e o trabalho com devoção são bons para obter a liberação. No entanto, entre os dois, o trabalho em serviço devocional a Deus é melhor do que a renuncia ao trabalho.

1.16 YS

Além disso, ao saber da existência da Pessoa Suprema, livra-se de todo os desejos mundanos.

 5.10 BG

Aquele que executa seu dever sem apego, entregando o resultado ao Senhor Supremo, não é afetado pela ação pecaminosa, assim como a folha de lótus não é tocada pela água.

 1.17 YS

O completo estado de conhecimento é atingido através da análise, reflexão, bem-aventurança, individualidade e beleza.

5.21 BG

Tal pessoa liberada não se deixa atrair pelo prazer dos sentidos materiais, mas está sempre em transe, gozando o prazer interior. Desse modo, a pessoa auto-realizada sente felicidade ilimitada, pois se concentra no Senhor Supremo.

1.23 e 51 YS

Ou (atinge-se a perfeição) através da devotada meditação no Senhor.

Quando até mesmo isso é controlado, então tudo mais é controlado atingindo-se o transe sem semente.

6.20-23 BG

Na etapa de perfeição chamada transe, ou samadhi, a mente abstém-se por completo das atividades mentais materiais pela pratica de yoga. Caracteriza está perfeição o fato de se poder ver o Eu com a mente pura e sentir regozijo no Eu. Neste estado jubiloso, o yogi situa-se em felicidade transcendental ilimitada, percebida através de sentidos transcendentais. Nesse caso, ele jamais se afasta da verdade e, ao obter isto, vê que não há ganho maior. Situando-se em tal posição, ele nunca se deixa abalar, mesmo em meio as maiores dificuldades. Esta é a verdadeira maneira de alguém livrar-se de todas as misérias surgidas do contato material.

2.1 e 2 YS

Yoga da ação é austeridade, estudos das escrituras e devoção a Deus.

O propósito é atingir o transe e diminuir o sofrimento.

6.47 BG

E de todos os yogis, aquele que tem muita fé e sempre se refugia em Mim, pensa em Mim dentro de se mesmo e me presta transcendental serviço amoroso- é o mais intimamente unido a Mimem yoga e é o mais elevado de todos. Esta é minha opinião.

2.15 YS

Com as misérias de um mundo material em constante mutação, vivendo sob o jugo de nosso condicionamento, e por causa dos conflitantes modos da natureza (sattva, raja e tama) tudo é apenas miséria para a pessoa de discernimento.

7. 12,13 e 14 BG

Fique sabendo que todos os estados de existência- sejam eles bondade, paixão e ignorância- manifestam-se por Minha energia. Num certo sentido, Eu sou tudo, mas Eu sou independente. Eu não estou sob a influência dos modos da natureza material, mas eles, ao contrario, estão dentro de Mim.

Iludido pelos três modos (bondade, paixão e ignorância) o mundo inteiro não conhece a Mim, que estou acima dos modos e sou inesgotável.

Esta minha energia divina, que consiste dos três modos da natureza material (sattva, raja e tama) é difícil de ser suplantada. Mas aqueles que se renderam a mim podem facilmente transpô-la.

2.55 YS

Com isto se obtém o supremo controle dos sentidos.

8.12 e 28 BG

A yoga consiste no desapego de todas as ocupações sensuais. Para estabelecer-se em yoga a pessoas deve fechar todas as portas dos sentidos e fixar a mente no coração e o ar vital no topo da cabeça.

Aquele que aceita o caminho do serviço devocional não se priva dos resultados obtidos por estudar os vedas, executar sacrifícios, submeter-se a austeridades e dar caridade ou dedicar-se a atividades filosóficas e fruitivas. Pelo simples fato de executar serviço devocioal, ele consegue tudo isto, e por fim alcança a eterna morada suprema.

3.4 YS

Estes três (concentração, meditação e transe) focados em um único ponto constituem a perfeita disciplina (samyamah).

12.8 BG

Fixe sua mente em Mim, a suprema Personalidade de Deus, e ocupe toda sua inteligência em Mim. Assim, não haverá dúvida alguma de que você viverá sempre em Mim.

3.55 YS

Absoluta liberdade (kaivalyam) é obtida quando a qualidade lúcida da natureza  e o espírito estão puramente em equilíbrio.

13.35 BG

Aqueles que com os olhos do conhecimento vêem a diferença entre o corpo e o conhecedor do corpo, e podem também compreender o processo que consiste em libertar-se do cativeiro da natureza material, alcançam a meta suprema.

4.1 YS

Os poderes da perfeição podem ser obtidos através do nascimento, ervas, austeridades e pura meditação.

15.20 BG

Esta é a parte mais confidencial das escrituras védicas, ó pessoa sem pecados, e está sendo revelada por Mim (Krishna). Quem quer que compreenda isto se tornará sábio, e seus esforços redundarão em perfeição.

 4.34 YS

Liberação é reverter o fluxo das coisas materiais, as quais não tem sentido para o espírito; é também o poder da consciência no estado de identificação verdadeira.

  1. 64, 65 e 66 BG

Por que você é meu amigo muito querido, estou falando Minha instrução suprema, o mais confidencial de todos os conhecimentos. Ouça enquanto falo isto, pois é para o seu beneficio.

Pense sempre em Mim e torne-se meu devoto. Adora-Me e ofereça-Me  homenagens. Agindo assim, você virá a Mim impreterivelmente. Eu lhe prometo isto por que você é meu amigo muito querido.

Abandone todas as variedades de religião e simplesmente renda-se a Mim. Eu o libertarei de todas as reações pecaminosas. Não tema.

                                                                                            OM Tat Sat

Junior (jay Gauranga)

A Busca pela Bem-Aventurança Eterna

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Por: Bhakti-tirtha Swami

Um ponto chave enfatizado em escrituras de diferentes caminhos é o desenvolvimento de nossa relação com Deus. Infelizmente, as pessoas frequentemente têm informação limitada sobre o objeto de seu amor – o que Deus gosta e não gosta, Suas atividades, Sua morada – e como se conectar com o Senhor. Existe disponível muita e detalhada informação sobre esses tópicos, e nós iremos compartilhar um pouco dela nesta discussão. Fique bem atento; serão expostas certas coisas que irão emergir posteriormente em sua consciência, nos momentos em que forem mais necessárias.

Quatro Caminhos Universais

Como nos conectamos com a meta suprema? Que caminho nos levará de volta ao lar? Para começar, todos os caminhos caem em quatro categorias filosóficas: materialismo, niilismo, impersonalismo e personalismo. É importante manter em mente essas quatro escolas de pensamento conforme examinamos o que está dentro do universo material, o que está fora do universo material, e o que está no reino espiritual.

A filosofia do materialismo é basicamente uma filosofia ateísta. O materialismo sustenta que um ser humano não passa de uma entidade física sem alma. A existência é simplesmente uma questão de estar em diferentes ambientes, que produzem uma personalidade correspondente. A vida é vista como uma questão de simplesmente comer, dormir, procriar e se defender, ou, como declarado por Charles Darwin, sobrevivência dos mais aptos. Essa filosofia produz um egoísmo grosseiro, e se baseia em exploração e manipulação, em vez de uma vida em harmonia com a natureza. Esta é a filosofia ateísta que as forças de opressão adotam e tentam propagar ao redor do mundo.

Em segundo, há a filosofia do niilismo. De acordo com esta filosofia, o envolvimento material produz ansiedade, relacionamentos materiais trazem dor, e buscas materiais causam estresse, frustração e depressão. Esta ideia está profundamente conectada com a filosofia do budismo, na qual a meta é tentar alcançar o nirvana: liberdade do ego, liberdade de um foco no mundo material e liberdade do bombardeio de interferências sensuais. Esta filosofia nos diz o que a realidade não é, mas tem pouca informação sobre o que a realidade é.

A terceira filosofia é a do impersonalismo. O impersonalismo nos retira da região material e nos põe na consciência cósmica, ou samadhi. Nesta consciência, as pessoas experimentam a universalidade de toda a criação e sentem certa unidade com Deus, pensando que elas mesmas são Deus. O foco é em se fundir na energia de Deus e se tornar uno com a luz de Deus. A filosofia do impersonalismo tenta abranger todos os elementos materiais básicos, mas explica apenas uma dimensão da Divindade, sendo, portanto, incompleta. Ela mostra como somos unos com Deus, mas negligencia totalmente a explicação de como somos diferentes de Deus, e isto é essencial. É esta diferença que experimentamos, e que prevalece como fundamental para o desenvolvimento espiritual. Se somos diferentes de Deus, então podemos desenvolver uma atitude de serviço a Ele. Do contrário, o serviço amoroso se torna um tanto impossível.

A filosofia do personalismo reconhece que o materialismo traz dor e confusão, mas que uma pessoa deve superar essas dificuldades e tornar-se livre do bombardeio sensual. A filosofia do personalismo inclui aspectos do materialismo, do niilismo e do impersonalismo. Mas ela vai além. Ela reconhece que há certas atividades que não são materiais.

Consideremos uma analogia. Um homem tem uma cavidade que está lhe causando dor de dente. Ele não consegue nem mesmo apreciar o cheiro da comida sem que seu dente doa. O materialismo é como um dente dolorido; ele causa muita dor e sofrimento. O homem tenta superar a dor mentalmente e também toma medicação, a qual interrompe a dor por um tempo. Este nível é como o niilismo: apesar de ele estar livre da dor causada pelo dente, seu estado é, na melhor das hipóteses, de neutralidade. Conforme o homem se foca em desfrutar o aroma da comida, ele está num nível parecido com o impersonalismo; ele pode desfrutar da energia da comida. Uma vez que o homem muda de ideia e vai ao dentista e fica curado da dor de dente, não apenas ele pode cheirar a comida, mas pode, de fato, desfrutar de comê-la. Este nível é análogo ao personalismo. A eliminação da causa que gerava seu sofrimento permite a ele ter um relacionamento direto com a comida. Às vezes, quando nos encontramos em uma situação ruim, pensamos que “positivo” significa a eliminação do negativo. No entanto, acabar com nossa situação material negativa é apenas o início. O estágio seguinte é encontrar alguma ocupação espiritual positiva para substituir a atividade material.

Personalismo versus Impersonalismo

Concepções pessoais automaticamente contêm a compreensão impersonalista e vão além dela. O Senhor Supremo, sendo absoluto, pode existir pessoal e impessoalmente ao mesmo tempo. Existem três energias básicas do Divino: a energia externa, que mantém o universo material; a energia marginal, que é feita das entidades vivas; e a energia interna, que mantém o mundo espiritual. Devido ao nosso condicionamento, tendemos a ver o espiritual como o oposto do material. Para nós, material significa forma, logo espiritual deve significar amorfo. Material significa ativo, logo espiritual significa destituído de atividade. De maneira a alcançarmos uma verdadeira compreensão das atividades no mundo espiritual, devemos deixar essas ideias erradas de lado. Através do amor e da devoção, podemos ultrapassar a abordagem impessoal de Deus após muitas e muitas vidas nesta consciência cósmica. Nós, então, finalmente obtemos uma oportunidade de entrar em contato com as atividades extraordinárias do mundo espiritual.

O mundo espiritual é nosso habitat natural. Os grandes professores estão constantemente nos falando sobre uma existência além desta que percebemos. Eles estão ansiosos para nos mostrar os meios para recuperarmos este precioso estado que perdemos. Por muitas vidas, a alma tem vagado dentro e fora de muitos ambientes e situações, inconscientemente desesperada por associação espiritual.

Quando proferimos a oração “Pai nosso que estais no céu, santificado seja o Vosso nome, vem a nós o vosso reino, seja feita a Vossa vontade, assim na Terra como no céu”, compreendemos que o mundo material é um reflexo do mundo espiritual. O mundo material é, na verdade, um reflexo pervertido da realidade. No mundo material, temos muitos tipos de interações, mas elas são limitadas, dolorosas e, finalmente, frustrantes. No reino espiritual, nosso relacionamento é com o Senhor, e nossas atividades são sempre novas. Cada segundo no mundo espiritual torna-se um momento de prazer superior.

Há duas divisões principais no reino espiritual. Há o brahmajyoti, o qual às vezes é referido como a luz ou a refulgência, e há os planetas espirituais, onde as diferentes manifestações do Senhor e de Seus devotos residem. Está presente ali o aspecto pessoal de Deus. Alguns de vocês continuam buscando unidade, a luz impessoal, e a oportunidade de se fundirem com o Supremo. Este desejo se deve a certa contaminação material. É a primeira fase que experimentamos conforme começamos a nos conectar com a consciência superior. Conforme experimentamos a unidade cósmica, podemos ficar tão intoxicados e felizes que concluímos falsamente que não existe nada superior. Este é o nosso primeiro grande erro. Essas experiências são prazerosas, mas também são limitadas. Além da consciência cósmica está a oportunidade de intercâmbio pessoal com o Senhor.

“Liberação” é um termo frequentemente utilizado nas escolas de pensamento impersonalista – liberação do mundo material para tornar-se uno com Deus, ou até mesmo tornar-se Deus. Novamente, nossa meta deve estar além da liberação. Nós devemos ser liberados incontáveis vezes antes de termos uma chance de realmente entrar no reino de Deus. Devemos viajar por muitas vidas e pagar impostos enormes – buscar austeridades, religiosidade e espiritualidade de diversos tipos – para irmos além da plataforma da liberação.

Há uma fase intermediária de desenvolvimento na qual somos capazes de nos associarmos com uma forma individual de Deus, localizada na região do coração de cada ser vivo; este aspecto de Deus é conhecido como o paramatma. Esta é uma “unidade” superior, que é mais localizada e mais pessoal, um estágio que grandes iogues aspiram alcançar através de suas práticas ióguicas. Nós podemos então avançar espiritualmente em direção à associação suprema última com o Senhor Supremo no mundo espiritual.

Voltando à analogia da dor de dente, uma vez que o cheiro da comida permeia o nariz de uma pessoa, o desejo de comer a comida irá, cedo ou tarde, tornar-se a meta mais desejada. Essa pessoa irá então tentar obter a comida e desfrutar dela de todas as maneiras possíveis. Similarmente, o impersonalismo eventualmente levará ao personalismo. A questão é: pegaremos a rota longa e lenta do desfrute dos sentidos ou a rota direta e rápida da rendição à vontade do Senhor? A segunda opção concede prazer eterno.