A BUSCA PELO AMOR PERDIDO.

O cervo almiscareiro é citado na poesia e filosofia sânscrita devido ao seu comportamento peculiar. Valorizado pela indústria de perfumes pelo seu aroma excepcional, o almíscar é um dos produtos naturais mais caros do mundo, chegando a valer mais de três vezes o valor do peso do ouro. O aroma do almíscar é tão sedutor que o nariz sensível do cervo, ao senti-lo no vento, faz com que ele ronde pela floresta dia e noite em busca de sua origem. O cervo se esgota pela sua busca infrutífera, sem nunca perceber que o  doce  aroma não está em nenhum outro lugar, exceto dentro de si.

O almíscar, como se vê, é produzido por uma glândula no próprio umbigo do cervo: ele procura incansavelmente por algo que sempre esteve dentro dele. Os sábios da Índia observaram no cervo almiscareiro uma descrição apropriada da condição humana. Todos nós somos criaturas vagando em busca de prazer dentro de alguma floresta – repleta de prazeres e riscos. Além disso, temos a tendência ao mesmo tipo de loucura do cervo: buscarmos uma felicidade externa.

Confundimos nossas verdadeiras necessidades associando erroneamente nossa realização e auto-estima a posses, posições e estímulos mentais e sensuais. Muitas vezes somos atraídos por relacionamentos superficiais, que mantém a promessa de satisfação duradoura, mas nos fazem sentir vazios, sendo que o verdadeiro tesouro reside internamente. Esse é o tema subjacente nas musicas que cantamos, dos programas que assistimos e dos livros que lemos. Esta nos salmos da Bíblia, nas baladas dos Beatles e praticamente em todos os filmes de Bollywood já produzidos. O que é esse tesouro? O amor. O amor é a natureza Divina. Sob a cobertura do falso ego, encontra-se escondido. O propósito da vida humana é descobrir esse amor divino. A satisfação que todos no estamos procurando é encontrada no compartilhamento desse amor.

Os sábios autores de textos sagrados da Índia realizaram que a mais surpreendente de todas as maravilhas de Deus é a Sua disposição e ímpeto de não apenas ser tocado por nosso amor, mas de ser conquistado por ele. O cultivo desse amor adormecido é chamado de o cultivo de Bhakti (o caminho da devoção). Este amor reside dentro de todos nós. E é o maior de todos os poderes, por que é o único que pode revelar a mais profunda satisfação interior em nossas vidas. Com a força desse amor podemos superar a inveja, o orgulho a luxuria, a ira e a cobiça. Não há outro meio de conquistar essas doenças dentro de nós.

                                                                                                                Radhanatha Swami

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Carta aberta aos estudantes de Ashtanga Yoga.

Toda vez que eu viajo para diferentes partes do mundo ensinando Yoga, sempre me vêm à mente certos conceitos fundamentais sobre como ensinar e praticar Ashtanga Yoga, baseados em estudo e observação pessoais e nos meus 32 anos de prática ininterrupta. Penso serem importantes o suficiente para querer compartilhá-los com todos.

Primeiro, o mais importante de tudo – e espero que você possa aprender isso na sua prática: “Se dói, você está fazendo errado”. Ao longo dos anos, tenho visto gente demais se machucando e machucando outros. A prática de Yoga pode ser (e deveria ser) prazerosa do início ao fim. O que importa de fato é mulabandha e uma respiração profunda e completa. Com isso e por meio da prática diária, a obtenção de mais flexibilidade é inevitável.

Aprendi a partir da minha própria prática e observação que forçar as limitações que você tem em determinado momento para conseguir entrar em uma postura pode fazer com que você se machuque, e a consequência, no mínimo, será a necessidade de parar para que a lesão se recupere e então retomar a prática. Tal sequência de eventos não é apenas desagradável, mas contrária à minha convicção de que, por meio de uma prática lenta, estável e diária, pode-se conquistar uma flexibilidade ainda maior – resultado da ação de nosso próprio calor interno, que nos faz relaxar nas posturas, em vez de forçar-nos nelas. Percebi que esse método mais lento, além de ser mais saudável e permitir o desenvolvimento de uma flexibilidade maior, faz com que ela seja de natureza mais duradoura do que a flexibilidade obtida quando se força uma postura. Infelizmente, como muitos acabam descobrindo, forçar nossas limitações pode trazer como resultado atividades reduzidas ou limitadas durante a recuperação. Esse ciclo pode produzir associações desagradáveis com a prática, em vez das experiências agradáveis que eu procuro apresentar e que me parecem ser necessárias para quem quer uma prática para toda a vida.

Penso ser importante mostrar às pessoas como elas podem fazer das séries do Ashtanga Yoga não só uma prática para toda a vida como também uma experiência absolutamente prazerosa. Imagino que, quando você viu a prática pela primeira vez, deve ter dito para você mesmo: “Se eu conseguir fazer isso, vai ser o máximo!”. Pois aí está: você já observou bastante a prática e quer continuar com ela. A chave então é se tornar apto a praticar Yoga pelo resto da sua vida. Depois de mais de 30 anos observando milhares de pessoas praticando Yoga, percebi que os que perduram são aqueles que sabem como tornar a prática algo de que possam desfrutar. Eles pensam na sua prática diária de tal maneira que nada pode impedi-los de achar um tempo para fazê-la. Ela se torna uma das partes mais prazerosas do seu dia. Os outros, consciente, subconsciente ou inconscientemente, desistem de praticar. E o meu objetivo, toda vez que encontro e dou aulas a novos alunos, é fazer tudo o que estiver ao meu alcance para inspirá-los a construir e estabelecer sua prática de Yoga não apenas durante os poucos dias em que estamos juntos, mas para o resto de suas vidas.

Em segundo lugar, espero que você possa entender que o principal objetivo do Yoga não é aumentar a flexibilidade ou a força. Uma maior flexibilidade e força são simplesmente resultados e benefícios naturais da prática diária. E, embora flexibilidade e força sejam benefícios importantes e visíveis do Yoga, acredito que a principal finalidade da prática do Yoga é a auto-realização e a capacidade de manter-se a si mesmo em equilíbrio e saudável todos os dias. A saúde é o seu maior bem. O DNA do corpo sabe o que é bom e saudável para o organismo; tudo o que ele precisa é de energia. A prática energizante e rejuvenescedora do Yoga pode ser a fonte.

Por último, vez ou outra me perguntam se alguém é “bom no Yoga”. Eu prontamente respondo que o melhor Yogin não é o mais flexível, mas o que está mais focado naquilo que ele ou ela estão fazendo e o que mais intensamente consegue realizar mulabandha e uma respiração profunda. É com certa tristeza que vejo pessoas “competindo na prática de Yoga” e também os que acabam desencorajados quando percebem tal competição e pensam que jamais serão capazes de fazer a sua prática com a flexibilidade e a destreza dos que estão mais avançados nas séries. O maior Yogin é o que consegue aproveitar a sua prática de Yoga ao máximo, e não aquele que é capaz de dar um nó cada vez mais complicado em si mesmo. Estou convicto de que, na prática dessa meditação em movimento que é o Ashtanga Yoga, o que realmente importa é o que está invisível ao observador, ou seja, aquilo que se passa dentro do praticante.

Eu acredito no Yoga. Acredito que qualquer um que queira pode praticar o Ashtanga, mesmo que com modificações que ajustem a prática à sua pessoa, de maneira que seja de fato prazerosa. Faz anos que costumo repetir: “Se alguém me diz: ‘Você tem 15 minutos, uma hora, etc., para fazer alguma coisa boa para você mesmo, então vá pescar, andar de bicicleta ou qualquer coisa assim’, eu começo imediatamente a fazer as Saudações ao Sol do Ashtanga Yoga e a Primeira Série”. Se alguém conseguir me mostrar algo melhor, estou pronto a aprender. Em meus 30 anos de busca, estudei cinco ou seis sistemas de prática do Yoga. E, para mim, não conheço nenhum programa de aptidão física, mental e emocional que seja melhor que o sistema do Ashtanga Yoga. Espero que você possa sentir o mesmo.

                                                                                                       David Williams

Patanjali afirma o que Krishna fundamentou…

A principal característica de Patanjali no Yoga-Sutra é sua objetividade na informação, por isso o nome “sutra” devido a abordagem compactada de informação num tema especialmente profundo. Já a Bhagavad-Gita é extensa devido ao dialogo entre os dois protagonistas, em diversos momentos Krishna é indagado por Arjuna num debate onde predomina o tema yoga. Estarei fazendo um paralelo para mostrar como o Yoga Sutra está dando caminho para entender o que Krishna já havia estabelecido há mais de milênios atrás. Sendo textos com muitos conceitos irei apanhar alguns dentre os mais relevantes.

1.2  Yoga Sutra

Yoga significa controlar as flutuações da mente.

3.43 Bhagavad Gita

Assim, sabendo que é transcendental aos sentidos, à mente, e à inteligência materiais, ó Arjuna de braços poderosos, a pessoa deve equilibrar a mente por meio de deliberada inteligência espiritual e assim, pela força espiritual, vencer esse inimigo insaciável conhecido como luxuria.

1.12 YS

Estes processos são controlados através da pratica e do desapego.

5.2 BG

Krishna disse: A renúncia ao trabalho e o trabalho com devoção são bons para obter a liberação. No entanto, entre os dois, o trabalho em serviço devocional a Deus é melhor do que a renuncia ao trabalho.

1.16 YS

Além disso, ao saber da existência da Pessoa Suprema, livra-se de todo os desejos mundanos.

 5.10 BG

Aquele que executa seu dever sem apego, entregando o resultado ao Senhor Supremo, não é afetado pela ação pecaminosa, assim como a folha de lótus não é tocada pela água.

 1.17 YS

O completo estado de conhecimento é atingido através da análise, reflexão, bem-aventurança, individualidade e beleza.

5.21 BG

Tal pessoa liberada não se deixa atrair pelo prazer dos sentidos materiais, mas está sempre em transe, gozando o prazer interior. Desse modo, a pessoa auto-realizada sente felicidade ilimitada, pois se concentra no Senhor Supremo.

1.23 e 51 YS

Ou (atinge-se a perfeição) através da devotada meditação no Senhor.

Quando até mesmo isso é controlado, então tudo mais é controlado atingindo-se o transe sem semente.

6.20-23 BG

Na etapa de perfeição chamada transe, ou samadhi, a mente abstém-se por completo das atividades mentais materiais pela pratica de yoga. Caracteriza está perfeição o fato de se poder ver o Eu com a mente pura e sentir regozijo no Eu. Neste estado jubiloso, o yogi situa-se em felicidade transcendental ilimitada, percebida através de sentidos transcendentais. Nesse caso, ele jamais se afasta da verdade e, ao obter isto, vê que não há ganho maior. Situando-se em tal posição, ele nunca se deixa abalar, mesmo em meio as maiores dificuldades. Esta é a verdadeira maneira de alguém livrar-se de todas as misérias surgidas do contato material.

2.1 e 2 YS

Yoga da ação é austeridade, estudos das escrituras e devoção a Deus.

O propósito é atingir o transe e diminuir o sofrimento.

6.47 BG

E de todos os yogis, aquele que tem muita fé e sempre se refugia em Mim, pensa em Mim dentro de se mesmo e me presta transcendental serviço amoroso- é o mais intimamente unido a Mimem yoga e é o mais elevado de todos. Esta é minha opinião.

2.15 YS

Com as misérias de um mundo material em constante mutação, vivendo sob o jugo de nosso condicionamento, e por causa dos conflitantes modos da natureza (sattva, raja e tama) tudo é apenas miséria para a pessoa de discernimento.

7. 12,13 e 14 BG

Fique sabendo que todos os estados de existência- sejam eles bondade, paixão e ignorância- manifestam-se por Minha energia. Num certo sentido, Eu sou tudo, mas Eu sou independente. Eu não estou sob a influência dos modos da natureza material, mas eles, ao contrario, estão dentro de Mim.

Iludido pelos três modos (bondade, paixão e ignorância) o mundo inteiro não conhece a Mim, que estou acima dos modos e sou inesgotável.

Esta minha energia divina, que consiste dos três modos da natureza material (sattva, raja e tama) é difícil de ser suplantada. Mas aqueles que se renderam a mim podem facilmente transpô-la.

2.55 YS

Com isto se obtém o supremo controle dos sentidos.

8.12 e 28 BG

A yoga consiste no desapego de todas as ocupações sensuais. Para estabelecer-se em yoga a pessoas deve fechar todas as portas dos sentidos e fixar a mente no coração e o ar vital no topo da cabeça.

Aquele que aceita o caminho do serviço devocional não se priva dos resultados obtidos por estudar os vedas, executar sacrifícios, submeter-se a austeridades e dar caridade ou dedicar-se a atividades filosóficas e fruitivas. Pelo simples fato de executar serviço devocioal, ele consegue tudo isto, e por fim alcança a eterna morada suprema.

3.4 YS

Estes três (concentração, meditação e transe) focados em um único ponto constituem a perfeita disciplina (samyamah).

12.8 BG

Fixe sua mente em Mim, a suprema Personalidade de Deus, e ocupe toda sua inteligência em Mim. Assim, não haverá dúvida alguma de que você viverá sempre em Mim.

3.55 YS

Absoluta liberdade (kaivalyam) é obtida quando a qualidade lúcida da natureza  e o espírito estão puramente em equilíbrio.

13.35 BG

Aqueles que com os olhos do conhecimento vêem a diferença entre o corpo e o conhecedor do corpo, e podem também compreender o processo que consiste em libertar-se do cativeiro da natureza material, alcançam a meta suprema.

4.1 YS

Os poderes da perfeição podem ser obtidos através do nascimento, ervas, austeridades e pura meditação.

15.20 BG

Esta é a parte mais confidencial das escrituras védicas, ó pessoa sem pecados, e está sendo revelada por Mim (Krishna). Quem quer que compreenda isto se tornará sábio, e seus esforços redundarão em perfeição.

 4.34 YS

Liberação é reverter o fluxo das coisas materiais, as quais não tem sentido para o espírito; é também o poder da consciência no estado de identificação verdadeira.

  1. 64, 65 e 66 BG

Por que você é meu amigo muito querido, estou falando Minha instrução suprema, o mais confidencial de todos os conhecimentos. Ouça enquanto falo isto, pois é para o seu beneficio.

Pense sempre em Mim e torne-se meu devoto. Adora-Me e ofereça-Me  homenagens. Agindo assim, você virá a Mim impreterivelmente. Eu lhe prometo isto por que você é meu amigo muito querido.

Abandone todas as variedades de religião e simplesmente renda-se a Mim. Eu o libertarei de todas as reações pecaminosas. Não tema.

                                                                                            OM Tat Sat

Junior (jay Gauranga)