Sábio esse Patanjali!

 

O yoga sutra de patanjali é o texto que fundamenta a pratica de ashtanga vinyasa yoga, nele possui pontos cruciais para que possamos dar profundidade a um processo que aparentemente é físico apenas. Julgar esse método dado por S.K. Pattabhji Jois como uma pratica física apenas é como vendar os olhos, apalpar o rabo de um elefante afirmando ser um espanador.

É preciso mudar o olhar, entregar e se doar, possuir um professor experiente que viva a pratica diariamente, um professor que manifesta em suas atitudes o que os asanas propõem em cima do tapete, dessa forma  o calor  adentra seu corpo e coração  e acessa camadas mais internas, abrindo espaço e tonificando músculos, purificando impurezas, abrindo caminho para o Divino resplandecer de dentro para fora. Pois lá, no âmago do seu ser,  mora algo que uma vez acessado, te coloca numa sensação de presença e felicidade na qual não pode ser perturbada pelos estímulos externos.

Os Três ingredientes principais dados por Patanjai são:

Tapah svadhyayaeshvara-pranidhanani kria-yogah

Disciplina, estudo e entrega ao Divino é o yoga da ação.  Y.S 2.1

Tapah a pratica diária, descansando uma vez semanalmente cria fundação num trabalho no qual o objetivo é acessar camadas mais profundas. Sim, os músculos podem ficar estressados e cansados; mas com bom senso para não expor seu corpo a lesões, e ao mesmo tempo firmeza para dar continuidade ao trabalho junto com óleos e uma boa dieta, torna o corpo do praticante forte e alongado. Assim com fundação e conforto as tensões vão dando espaço para uma boa postura e uma sensação de bem estar impar, facilitando as meditações e pranayamas.

*Descansar no auge das luas cheia e nova é uma oportunidade de observar e se conectar com a natureza, sentir sua interferência no individuo; dias como esse o descanso e estudo sempre “cai como uma luva”.

Svadhyaya estudo dos textos implica em entender e tentar realizar na vida pratica o que foi estudado, ou seja, auto observação constante nos padrões comportamentais a serem mudados e transformados em hábitos, que gradualmente te levam a felicidade e centramento.

Ishvara-pranidhanani entrega ao Divino significa exercitar a consciência de que não estamos no controle absoluto, nosso esforço e controle alcançam até um certo nível de qualquer atividade executada, pois no fim, o resultado é dado por um Controlador Supremo (Ishvara), e esse entendimento do resultado esta diretamente ligado ao pacto de fé em algo maior do que nós, Deus.

E por fim Yoga Kryah se traduz literalmente como yoga da ação, perdão,  vamos traduzir toda a expressão:

                    Yoga Kryah

Conexão com o divino através de uma ação.

Sendo essa ação consciente de que o resultado não depende apenas do seu esforço, mas sim de um Controlador Supremo, significa que você pode sofrer menos pelos anseios de seus desejos, pois sua consciência está ciente que o resultado é dado por Deus e não unicamente pelo seu ego.

Dessa forma, vamos seguindo em frente: praticando, observando e com fé em algo maior.

Grato ao sábio Patanjali, por resumir em sutras uma filosofia tão profunda e vasta que é o yoga.

Borá por em pratica…?

Junior (Jay gauranga)

 

 

 

 

 

 

 

 

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Nossos invólucros e o caminho da conexão.

Quando tratamos de yoga como conexão, não se resume  apenas em conexão com Deus, mas primeiramente com nós mesmos, o nosso primeiro e único eu, o invólucro mais profundo e essencial, a alma (jivátma) e a parcela divina que reside em nosso coração (paramátma). essas energias superiores estão isoladas devido ao cultivo de atividades que geram uma poeira em nosso coração encobrindo o contato com que é essencial.

Possuímos cinco invólucros na nossa estrutura constitucional, partindo do nosso corpo físico até as profundezas do verdadeiro ser, a alma, o ultimo e mais profundo. A proposta da pratica de hatha-yoga é conectar todos essas camadas de maneira equilibrada e consciente para haver uma conexão  entre o ambiente externo e o essencial que reside no individuo.  Vamos para uma abordagem mais técnica:

Anámaya kosha: corpo físico

Pranamaya kosha: corpo etéreo

Manomaya kosha: corpo mental

Vijnãnamaya kosha: corpo intelectual

Ananadamaya kosha: corpo espiritual

Por inúmeros motivos estamos em desequilíbrio. Nosso corpo físico está cheio de toxinas devido a má alimentação, o corpo etéreo congestionado devido a ma circulação prânica, a mente fragilizada e condicionada a satisfação corpórea imposta pelos sentidos funcionais, e nosso intelecto profundo enraizado em memórias e traumas que só nos levam a tendências que nos prende a padrões de comportamento indevido. Resultando num contato muito distante do potencial espiritual que  o  nosso verdadeiro ser pode nos proporcionar. A bem-aventurança consciente de que somos seres eternos! Tema muito presente na Bhagavad-Gita.

Evam buddheh param buddhhvá samstabhyátmánam átmaná

Jahi satrum mahá-báho káma-rúpam durásadam  B.G cap. 3.43

“Assim, sabendo que é transcendental aos sentidos, à mente e a inteligência materiais, ó Arjuna de braços poderosos, a pessoa deve equilibrar a mente por meio de deliberada inteligência espiritual, e assim, pela força espiritual, vencer esse inimigo insaciável de desejos.”

Com respeito e reverencias, gosto de fazer  paralelos com as palavras sábias de Patanlaji a outras referencias sagradas, pois ao estudarmos a finco as escrituras que estão relacionadas ao yoga podemos realizar claramente que existe sempre um mesmo intuito de informação em abordagens de tempo, local e épocas diferentes.

Tapah-svadhyáyesvara-pranidhánáni kriýá-yogah  cap2.1

“Yoga da ação é austeridade (disciplina), estudo das escrituras e devoção a Deus.”

Aqui o  sábio Patanjali afirma que esses três principais aspectos do processo podem revelar o caminho de três principais fatores que permeiam todo seu discurso em seus sutras:

1-a meta, que é o transe. (samadhi).

2- acabar com o sofrimento. (kleshas)

3- através do equilíbrio da mente. (citta).

Vejamos a relação direta dessa afirmação de Patanjali com nossos invólucros:

Tapa traduzida como austeridade e abordada como disciplina representando o fogo aquecido pela nossa determinação da pratica de asanas no qual purifica nosso corpo físico, preparando para o pranayama que limpa e equaliza nosso corpo etéreo.

Svadhyaya, o estudo dos textos e a observação interna, nos auto-realiza e fundamenta o entendimento de nossas questões internas, equilibrando a mente e dando luz em nossos sanskaras (impressões que nos acompanham de outras vidas) para lidar de maneira que possamos limpar essa poeira acumulada em nossos corações.

E finalmente Ishvara-pranidhana, a entrega a Deus. A consciência de que existe “Algo” maior, a devoção que resulta na emoção de confiar em uma energia que mesmo sentida internamente não é revelada aos olhos se não existir entrega e fé.

Disciplina, determinação e devoção! Seguimos enfrente com humildade e respeito para com o yoga. Om Tat Sat

Junior Jay Gauranga