O asana é a plataforma, a devoção é essencial.

Quando olhamos para o yoga de maneira mais panorâmica e histórica, notamos que o processo de auto realização sempre vem sendo transformado e abordado de acordo com tempo, local e circunstância. Pois yoga significa união entre jivátma (alma infinitesimal) e paramatma (alma suprema), ou seja, a conexão entre nosso verdadeiro ser e Deus sempre permeou e deu norte para a espiritualidade, principalmente na Índia antiga (Cultura védica) em que toda a sociedade tinha como prioridade o foco na integridade espiritual.

Na Bhagavad-Gita Krishna afirma para Arjuna no capitulo quatro que o yoga sempre irá existir:

yada yada hi dharmasya
glanir bhavati bharata
abhyutthanam adharmasya
tadatmanam srjamy aham

Sempre e onde quer que haja um declínio na pratica espiritual, ó descendente de Bharata, e uma ascensão predominante de irreligião, Eu próprio descendo. BG 4.7

Em determinado momento na idade média da Índia houve um hibridismo entre correntes espirituais no qual houve uma ascensão da  valorização do corpo como um instrumento eficaz para auto-realização, ou seja, explorar e conhecer o corpo para acessar camadas mais sutis e realizar a o espírito. Os Nathas que são tidos com pioneiros nas praticas de hatha-yoga foram grandes devotos de Adhinatha (Shiva). Pois quando Yoguendra Swatmarama expõe o Hatha yoga Pradipika com suas técnicas importantes para o cotidiano do praticante, o próprio autor  da profundidade para o texto quando imprime o conceito de Raja-yoga como algo sendo resultado de praticas preliminares como asanas, mudras e  pranayamas.

Um exemplo disso  é a  invocação inicial to texto Hatha Yoga Pradipika:

Saúdo o Primevo Senhor, Śiva (Ādinātha), que ensinou o conhecimento do Haha Yoga a sua esposa Pārvatī. Este conhecimento, como uma escada, conduz ao elevado Rāja Yoga.

Já no século XX quando o yoga chega no ocidente, as praticas de hatha-yoga se popularizam como diferentes métodos. Dentre eles, alguns com uma ligação maior com a tradição e outros não.

O ponto aqui não é julgar a ligação com a tradição ou autenticidade de cada modalidade e método, mas é importante informar que  existem características e qualidades nas correntes orientais que estão sempre intrínseca na cultura, e uma delas é a tradição, representada pelo conceito de parampara (sucessão discípular).

No ashtanga yoga ensinado por Pattabhi Jois, o mantra inicial da pratica nos remete diretamente ao antigo sábio Patanjali que  não só é tido por muitos professores como uma encarnação divina mas principalmente como o precursor do conceito “ashtanga yoga”. No seu texto Yoga Sutra aparece o termo Ishvara-pranidhana (entrega ao divino) sendo resultado de disciplina e observação do praticante.

Resumindo, o yogui é disciplinado em sua pratica (sadhana-yoga) que aquece o fogo da purificação (Tapas) fundamentando com o estudo e auto-observação (svadhyaya) frutificando  sua fé e verdade interior no âmago da devoção de  uma energia maior representada pelo termo “Ishvara-Pranidhanani!!!

O cultivar da devoção é a representação externa de uma atitude interna de respeito e gratidão, Ishvara significa controlador, direcionar a devoção ao controlador Supremo imprime no nosso coração a verdadeira união com o Divino!

Devoção é ação! Ação é fazer o que tem que ser feito, estando presente em espírito!

O que tem que ser feito?

Estou tentando descobrir dentro do meu Dharma.

Qual é o seu Dharma?

Junior (Jay Gauranga)

 

Anúncios